quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
O relógio foi cruel com ela, uma hora e meia, exatas, contadas por ponteiros, um grande e outro menor; uma hora e meia para colocar uma vida inteira em órbita, e ela apenas chorou. Entre suas lágrimas, apagou-se junto dela a sua melhor parte, ele fechou os olhos para nunca mais abrir, e sorriu.
Parada de frente ao espelho, nada refletia; seis sentidos inúteis, fracassados diante da sua dor. Seu corpo gritou sem som, sua memória correu contra o tempo e ele amargamente parou na sua mais angustiante forma. Ações e reações foram pra ela inúteis; havia apenas dor, a dor da ausência que já começava a se fazer presente.
Olhou pro céu, afim de obter uma, apenas uma resposta plausível; explicações médicas eram nada para ela, nada justificaria.
No carro o velocímetro aumentava, a música traduzia em acordes o tamanho do vazio, e os arranjos eram por conta das lágrimas, que caiam, caiam, e caim. O escuro da noite, foi o único capaz de dividir com ela o silêncio. Havia o frio que se fazia presente, ela apenas não sabia dizer se o frio era climático ou apenas o seu corpo.
Menos de um segundo a saudade já à maltratava, apertava, deixava sem foco e sem força.
Da mesma maneira que sua mãe anualmente chamava um batalhão de pessoas para se adentrarem no salão a fim de cantarmos em coro o esperado "parabéns para você",que esse ano seria para os seus 60 e esperados anos, eu há vi chamando um batalhão de pessoas para se adentrarem no salão para o último adeus para aquele cara tão único.
Seu coração havia parado junto ao dele, com a sutil diferença, que o dela mesmo estando parado, batia.
Em sonhos, aquele cara que à conhecia tão bem, lhe abraçou e em abraços mostrou-lhe e demonstrou-lhe risos, carinho, proteção, zelo e amor, e foi assim, apenas assim que ela pode entender em compasso com a esperança que pessoas boas não morrem, elas deixam de ser anjos na terra, para serem anjos no céu, e ela entendeu que ele precisava voar, já que portava asas.
Saudade, apenas saudade!
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